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Diário Grande ABC

O Governo é um fingidor. Coluna Carlos Brickmann

ATENÇÃO: por favor, não publicar antes - Coluna EXCLUSIVA para a edição dos jornais de Quarta-Feira, 11 de fevereiro de 2015

10.02.2015  |  1.822 visualizações
Como não disse Fernando Pessoa, um Governo finge tão completamente que chega a achar que é certa qualquer história que invente.

O Governo Federal vai mal, perdendo aliados (até o fiel dos fiéis, o gaúcho Olívio Dutra!), sofrendo oposição mesmo de partidos que contemplou com boquinhas, com aliados que o amam com todo o ódio. Qual a saída? João Santana. Dilma decretou que o problema está na falta de comunicação: é preciso trazer de volta o comunicador do Brasil Cor de Rosa para restabelecer a Força Vermelha. Porque, no Brasil, quando o Governo não anda, mais verba para a propaganda.

O setor de Comunicação do Governo Federal está com problemas: João Santana escreveu o discurso de posse de Dilma, saiu de férias e ainda não voltou, Thomas Traumann não queria ficar como porta-voz mas não havia ninguém para por em seu lugar, Ricardo Berzoini não é do ramo. Mas talvez o problema não esteja apenas no que é dito, ou como é dito, mas naquilo que se sente: promessas descumpridas, alta de impostos, alta brutal da luz, Petrolão. Há quem reclame do uso do nome Petrolão. Mas, se fosse outro o nome, menor seria o escândalo?

O Governo tucano paulista tem o mesmo problema, enfrentado da mesma maneira: para reduzir o impacto da estiagem, baixou um dicionário em tucanês castiço. Volume morto virou Reserva Técnica, crise hídrica se transformou em alocação inteligente de recursos hídricos disponíveis para maximizar sua utilização. Enfrentar a falta dágua é menos importante: as eleições ainda estão longe.

Dietas já

O prefeito de São Bernardo do Campo, SP, o petista Luiz Marinho, cortou drasticamente a merenda escolar. Explicação: os alunos estavam ficando obesos. Se Dilma pode fazer dieta, por que os alunos seriam privados de passar fome?

Com gente é diferente

Lembra da propaganda de Dilma, em que os banqueiros embolsavam o dinheiro e a comida sumia da mesa da população? Dilma ganhou, os banqueiros também: em 2014, o Bradesco teve lucro líquido de R$ 15,3 bilhões, seu recorde (e, além disso, indicou um alto funcionário para ocupar o Ministério da Fazenda); o Itaú, só no último trimestre de 2014, teve lucro líquido de R$ 5,52 bilhões.

Banqueiro tem pele grossa. Nenhum ficou chateado com a propaganda.

Tinindo as espadas

A festa de transmissão do comando do Exército do general Enzo Peri para o general Eduardo Villas Boas custou R$ 48 mil, segundo levantamento da respeitada Contas Abertas. No custo entram canapés, coquetel, almoço, jantar, mesa de salgadinhos, coffee break (que antigamente se chamava lanchinho) e flores.

Quem perde ganha

Não se preocupe com o bem-estar de Luciana Genro, candidata derrotada à Presidência da República pelo PSOL, filha de Tarso Genro, candidato derrotado à reeleição pelo PT para o Governo gaúcho. Luciana Genro ganhou o cargo de Coordenadora Geral da bancada do PSOL na Assembleia gaúcha, com salário de R$ 16.900.

Quantos deputados tem a bancada que coordena? Um: Pedro Ruas.

O problema vem de longe

Ninguém pode criticar o Governo paulista, os governos de outros Estados atingidos pela seca, o Governo Federal: todos foram surpreendidos pela falta dágua (se houvesse processo, os dirigentes diriam, em coral, o famoso "eu não sabia"). Foi mesmo uma surpresa. Amélia Guida Costa, assídua leitora desta coluna, comprovou que o alerta foi recente demais. Encontrou no jornal Correio Paulistano de 9 de novembro de 1867 uma notícia sobre a falta dágua com a seguinte abertura: "É facto importantíssimo o estado de penuria em que andam os habitantes da Capital a respeito d’agua potavel. A julgar pela antiguidade e pertinácia do mal, é difficil de saber-se quando há de vir o necessario remedio. Se não falham nossas recordações, começou elle à preocupar à atenção dos governos provinciaes desde a presidencia do conselheiro Saraiva (...)"

José Antônio Saraiva governou São Paulo de 1854 a 1855. Como nossos atuais governantes poderiam trabalhar sabendo dos fatos com tão pouca antecedência, de apenas 160 anos?

Clique na foto ao lado, ou clique em http://www.brickmann.com.br/index.php e veja a nota de 1867.

O problema vai longe

Mas não enfrentamos apenas as omissões do passado. Bem pertinho da represas do Sistema Cantareira, que estão quase vazias, há desmatamento de 20 mil m², em área de proteção de mananciais. O mais surpreendente é que os desmatadores têm licença para desmatar, embora a mata seja nativa, embora esteja em área de proteção de mananciais. Houve denúncia ao Ministério Público de Mairiporã, SP, que determinou à Polícia Ambiental que fizesse cessar imediatamente o desmatamento. Demorou um pouco - e, quando os policiais chegaram, a turma da motosserra já tinha ido embora.

Se o Governo estadual, preocupado com a falta dágua (ou restrição de disponibilidade hídrica, em bom tucanês), quiser tomar providências, pois a esperança é a última que morre, o endereço é Av. Belarmino Pereira de Carvalho nº 6.777, antiga Estrada da Roseira, Mairiporã, em frente ao Projeto Meu Guri - que, a propósito, é do Governo tucano de São Paulo.

carlos@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br


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  • NOTA DO CORREIO PAULISTANO, DE NOVEMBRO DE 1867
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