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Tempos esquisitos. Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Queriam o quê? Deixar que os entusiasmados filhotes dos sindicatos arrebentassem com a capital? Por pouco não atingem a Catedral, por pouco não fazem de Brasília uma filial do inferno...

26.05.2017  |  273 visualizações
Artigo publicado originalmente no Blog de Ricardo Noblat, 26 de maio/ 2017

Anteontem (quarta, 24), manifestantes em grande número, convocados e bancados pelas centrais sindicais, se reuniram em Brasília para pedir o afastamento do presidente da República. Têm lá os seus motivos. Não são os mesmos que os meus, por exemplo, cada cabeça uma sentença. Mas em vez de expor o que sentem e pensam com a cabeça, preferem usar a força bruta, se comportar como irracionais. Depredar prédios que pertencem a todos os brasileiros, deixar a nossa capital em estado lastimável, amedrontar quem lá trabalha, fazer da nossa bandeira uma piada de mau gosto.


A Polícia Militar de Brasília não soube agir, deu tiros para o alto e para os lados, fez um estrago medonho, mas não soube cumprir sua obrigação primordial, defender e proteger o povo e os prédios públicos. Perseguiu e feriu a Imprensa que estava lá para nos informar.


Que fez o Governo Federal, acuado em seus palácios e vendo a baderna se avolumar pela Esplanada dos ministérios? Convocou as Forças Armadas e logo apareceram os que não sabem ver uma farda sem associá-la aos horrores de 64 e gritam: "Forças Armadas, não!".


Como assim, Forças Armadas, não? Tempos muito esquisitos esses em que não se faz Justiça ao comportamento exemplar de nossos soldados desde a queda do regime militar, em 1985.


Queriam o quê? Deixar que os entusiasmados filhotes dos sindicatos arrebentassem com a capital? Por pouco não atingem a Catedral, por pouco não fazem de Brasília uma filial do inferno.

... Mas os tempos estão mesmo muito esquisitos. Vemos jornalistas terem suas fontes violadas, vemos juízes que cumprem exemplarmente suas funções serem criticados por advogados que esquecem o juramento que fizeram...



Pois as Forças Armadas compreenderam muito melhor e aceitaram com garbo a vontade do povo exprimida pelas Diretas Já!, muito mais do que certos civis que só pensam em como se manter no poder para usufruir do tal do foro privilegiado.


O comportamento de nossos soldados tem sido exemplar. Deles é a obrigação de zelar por nossas fronteiras e pela Lei e a Ordem. Se mais não fazem, é porque lhes falta dinheiro até para o rancho, até para os coturnos, até para manter os quartéis em bom estado.


Não sou eleitora dos bolsonaros da vida. Meu coração enregela ao pensar que eles poderiam ocupar o Planalto. Justamente por isso é que não deixarei de agradecer ao bom desempenho dos soldados que juraram e cumprem nossa Constituição.


Ainda por cima, foi muito barulho por quase nada. As Forças Armadas ficaram na Esplanada por menos de 24 horas. Foram dispensadas pela manhã. A ordem já tinha sido restabelecida. Outro ponto a favor delas.


Mas os tempos estão mesmo muito esquisitos. Vemos jornalistas terem suas fontes violadas, vemos juízes que cumprem exemplarmente suas funções serem criticados por advogados que esquecem o juramento que fizeram ao serem admitidos na OAB: "O verdadeiro advogado presta serviços a seu cliente, mas a ele não pode ser subordinado. Não fazemos o que o cliente quer, mas o que a lei nos permite para que possamos defender seus direitos e interesses".


E vemos também, absolutamente chocados, tratamento diferenciado para criminosos que cometeram o mesmo crime: a corrupção que arrebenta com nossos hospitais, com nossas escolas, com nossas vidas, que ameaça nosso mais valioso bem, a democracia.


Tempos muito esquisitos...



IMAGEM ABERTURA:Fotógrafo da Reuters ficou ferido ao acompanhar protestos perto do Estádio Nacional de Brasília (Foto: Fabiano Costa / G1)

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Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa* - Professora e tradutora. Vive no Rio de Janeiro. Escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Colabora para diversos sites e blogs com seus artigos sobre todos os temas e conhecimentos de Arte, Cultura e História. Ainda por cima é filha do grande Adoniran Barbosa.
https://www.facebook.com/mhrrs e @mariahrrdesousa


 

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