Capa

Diário Grande ABC

O silêncio do som. Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 2 DE JUNHO DE 2021

01.06.2021  |  495 visualizações

A direita se aglomerou em motos e carros para louvar Bolsonaro, a esquerda se aglomerou a pé para vaiar Bolsonaro, o novo coronavírus foi às duas manifestações. O centro, provavelmente majoritário, mas ainda sem ter candidato, ficou em casa – preocupado com a perspectiva de ter de escolher entre o inimigo das vacinas e o amigo e financiador das ditaduras. A direita arriscou a vida em aglomerações para retribuir a uma merreca: a isenção do pedágio das motos em rodovias federais. A esquerda arriscou a vida em aglomerações para mostrar que as ruas não pertencem aos bolsonaristas, que mobiliza gente e que também tem votos (o que as pesquisas já mostravam). Direita e esquerda contribuíram para ampliar a desgraça da Covid 19.

Vi bons amigos felizes com o sucesso das aglomerações (e vi um inimigo mais feliz ainda, o coronavírus). Mas poucos perceberam que cada uma das manifestações trazia seu próprio equívoco, e contribuíram para que ambos os lados acreditassem em sua própria propaganda. Bolsonaro e seus pazuellos de estimação parecem acreditar que carros e motos votam, quando apenas ocupam espaço. A esquerda, vestida de vermelho, mostrou claramente que não consegue atrair ninguém que saiba que Dilma não é Angela Merkel. Em 2018, quem queria tirar o PT do poder votou em Bolsonaro; quem queria evitar aquele a quem Geisel chamou de “mau militar” votou no PT. Em 2022 pode ser diferente.

General que luta a guerra passada perde a guerra atual.

 Maioria silenciosa

Donald Trump foi atropelado por dois fatos imprevisíveis: manifestações dos Black Lives Matter que se espalharam pelo país e a pandemia. Mesmo assim, teve a maior votação já dada a um candidato presidencial americano. O que o derrotou foi o trabalho dos democratas para levar às urnas a maioria silenciosa. Boa parte dos trompistas era militante; boa parte dos adversários não tinha entusiasmo suficiente para ir votar se chovesse muito no dia das eleições. O trabalho foi levá-los a votar com, digamos, mais conforto: pelo Correio, por exemplo, ou, onde era permitido, alguns dias antes da eleição. Conseguiram mais votos que o espetacular número obtido por Trump. E quem garante que os Black Lives Matters, com confusões e destruições, não deram a Trump mais votos do que tiraram? O trabalho silencioso da oposição foi a chave da vitória.

Trump lutou (bem) a guerra anterior. Biden, a atual.

 Dias de ira

Pode ser que, repetindo a eleição anterior, predomine o voto contra: vota em Lula quem quer se livrar de Bolsonaro, vota em Bolsonaro quem quer se livrar de Lula. Mas pode ser que o jogo mude, abrindo caminho para alguém que tenha algo a propor, e não apenas critique o que os outros propõem.

Palavras exatas

Da senadora Simone Tebet, MDB: “é importante entender o silêncio dos que não foram às ruas”.

Do jornalista Josias de Souza, do UOL: “Bolsonaro diz que é imorrível, imbrochável e incomível, mas é só incompetente”.

 Excelente notícia

Um laboratório israelense está iniciando agora os testes em larga escala de um remédio contra a Covid – um remédio de efeito rápido, custo baixo e que permite alta escala de produção. Não é vacina, não previne: cura. A reportagem saiu num jornal sério, o Jerusalem Post.

Veja o que já foi publicado (e a reportagem na íntegra) em https://go.shr.lc/3cbjeyx

 Sem pão – haverá circo?

A Argentina, onde seria jogada a Copa América, decidiu não realizá-la, por causa da pandemia.  A Colômbia foi a segunda opção, mas rejeitou a proposta, por causa da pandemia. A Conmebol, então, decidiu na base do “na falta de tu vai tu mesmo”, e acertou com o presidente Bolsonaro realizar no Brasil a Copa América. Mas há alguns problemas: o Governo Federal não tem estádios, e os Estados não querem o torneio. Primeiro, quando não há leitos para brasileiros em UTIs, como garantir os leitos para as seleções de outros países? Com novas variedades do vírus surgindo pelo mundo, é hora de convidar centenas de estrangeiros? E para que? Normalmente, essa Copa dá lucro para o país que a realiza: turistas, hotéis cheios, movimento em bares e restaurantes. Na pandemia, virão turistas gastar dinheiro? E, se trouxerem dinheiro, valerá a pena facilitar a entrada de mais vírus? Ninguém se dispôs ainda a ceder estádios. Já há ações pedindo à Justiça que proíba a tal Copa.

 JBS vira alvo

A filial americana da JBS sofreu forte ataque de hackers, que provocou a paralisação de três frigoríficos. Os hackers dominaram os computadores e exigiram resgate (não se sabe ainda se foram ou não atendidos). A JBS, em contato com a Casa Branca, informou que os ataques parecem ter vindo de criminosos com base na Rússia. O Governo americano está em contato com o Governo russo, verificando as providências que podem ser tomadas.

________________________________________________

CURTA E ACOMPANHE NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK
________________________________________________________

ASSINE NOSSA NEWSLETTER NO SITE CHUMBOGORDO (www.chumbogordo.com.br)

___________________________________________________

COMENTE:

carlos@brickmann.com.br

Twitter:@CarlosBrickmann

www.brickmann.com.br

Leia também...

15.10.2021
O herdeiro de Dilma é o Dilmo. Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE DOMINGO, 17 DE OUTUBRO DE 2021

12.10.2021
O Feriado do Sr. Presidente. Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 13 DE OUTUBRO DE 2021

08.10.2021
Perdoa-me por me traíres. Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE DOMINGO, 10 DE OUTUBRO DE 2021

05.10.2021
Big Techs na hora da verdade. Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO DE 2021

Entre em contato