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Diário Grande ABC

Agora é no gogó. Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 8 DE JULHO DE 2020

07.07.2020  |  284 visualizações

 

A GAGUEIRA E O REPÓRTER FALASTRÃO – Ricardo Azeredo

 

É entusiasmante ouvir o superministro Paulo Guedes, o Posto Ipiranga da Economia: disse à CNN (a propósito, é bom acompanhar a CNN: tem feito um belo trabalho, com a divulgação de notícias exclusivas) que “o Brasil já está saindo do buraco”, que as vendas para a China nos mantêm equilibrados, e que o Governo prepara quatro grandes privatizações no próximo trimestre.

É decepcionante acompanhar o destino de promessas anteriores. Há onze meses, Guedes apresentou lista de 17 estatais a ser vendidas de imediato. Há poucos dias, seu secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, disse que o Governo quer privatizar ao menos doze estatais. Destas, seis estavam na lista do Posto Ipiranga, de empresas a vender imediatamente em 2019. E quando Mattar espera privatizá-las? Em 2021. Isso se não houver problemas. A julgar pela propaganda oficial, talvez haja: diz a propaganda que em 2015, final do Governo Dilma, as estatais davam enorme prejuízo, e agora, com um ano e pouco de Bolsonaro, dão bilhões de lucro. A propósito, não podemos esquecer o Plano Marshall (ou PAC 2) oficialmente anunciado: por sua concepção, vai precisar de estatais para tomar conta dele. E há ainda a aproximação do Governo Bolsonaro com o Centrão: o presidente precisa dos parlamentares para manter-se no cargo, e os parlamentares precisam de cargos para reeleger-se. Estatais, pois.

Prometer é fácil – tanto que Guedes, confiante na falta de memória, promete a mesma coisa várias vezes.

 Como diria Tite...

Por falar em prometer, Guedes prometeu, em vídeo, que a aprovação da reforma tributária ocorrerá neste ano. Disse que o projeto está pronto para enviar ao Congresso e espera vê-lo aprovado em 90 dias. Mas o próprio Posto Ipiranga mostra que isso será muito difícil: gostaria, por exemplo, de propor um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 10 ou 11%, mas para isso precisaria ter a “tributação digital” (imposto sobre movimentação bancária), “e infelizmente o Congresso interditou esse debate”. No Congresso, diz, há propostas de IVA de até 30%, que, a seu ver, “quebra o comércio e o setor de serviços”. Como se vê, um debate difícil (e longo). Bolsonaro já disse que é contra a tal “tributação digital”, identificadíssima com a velha CPMF.

Como debater com o Congresso sem apoio do Executivo? Indo mais longe: em novembro há eleições municipais, e o Congresso se esvazia. Depois das eleições, vêm as festas de fim de ano. Retoma-se o trabalho no ano que vem.

 ...fala muito!

Mas imaginemos que tudo fique prontinho a tempo de ir ao Congresso e torcer pela aprovação neste ano. A reforma administrativa de Guedes está pronta e com Bolsonaro desde meados de fevereiro. De lá não saiu até hoje.

 O importante é ter saúde

O presidente Bolsonaro estar com coronavírus é algo a se lamentar. Saúde é o que todos devem desejar-lhe, sejam favoráveis ou contrários a ele. A vida de um ser humano, já ensinava o pastor John Donne há mais de 500 anos, é parte da vida de toda a Humanidade. E a quem o acuse de debochar da grave doença, um lembrete: se Bolsonaro errou, seja diferente, não repita este erro.

 A volta do general

Lembra-se do general Santos Cruz, amigo de Bolsonaro, afastado do cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo depois de uma guerra que lhe foi movida pelos seguidores de Olavo de Carvalho, entre eles pelo menos um dos filhos do presidente? Santos Cruz está de volta, com disposição para briga. Abriu processo contra Olavo de Carvalho, o guru da “ala ideológica” do bolsonarismo, e dois militantes, acusando-os de ofensas nas redes sociais. Pede indenizações que, somadas, atingem R$ 140 mil, e irão para instituições de caridade. As investigações passarão, informa, pelo entorno de Bolsonaro.

 Família é entorno?

Flávio, o filho 01, Carluxo, o 02, Eduardo, o 03, enfrentam problemas que podem levá-los a julgamento. Santos Cruz não quer que ninguém lhe peça perdão, mas garante que não vai transigir. “Vou até o fim”, disse à revista Época, “com qualquer consequência. Não é só pela honra pessoal. É funcional também. Eu era ministro! Quem é que tem a ousadia de fabricar um documento grotescamente falso e fazer chegar ao presidente da República? É crime. É uma ousadia, porra! Quero saber como isso chegou ao celular do presidente. Quem enviou?”

O presidente recebeu mensagens de WhatsApp atribuídas a Santos Cruz em que teria se referido desrespeitosamente a ele. Completa o general: “Esses vagabundinhos que fizeram isso foram tão amadores que sequer checaram que na hora da falsa mensagem eu estava em voo. São amadores, para minha sorte.” E para azar do presidente, que também não verificou esse pequeno detalhe.

 Questão de utilidade

O Gabinete de Segurança Institucional não verifica currículos. Nem mensagens. Ou não é acionado para isso. Em qualquer caso, qual sua função?

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