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Diário Grande ABC

Feliz 2022! Coluna Carlos Brickmann

EDIÇÃO DOS JORNAIS DE DOMINGO, 3 DE JANEIRO DE 2021

01.01.2021  |  357 visualizações

Claro, 2021 carrega um fardo: vamos levar o ano inteiro vacinando gente, a economia sobe aos poucos, é preciso tirar o ranço de 2020. Mas o início do ano é ruim: um juiz de primeira instância trata decisão do Supremo como se fosse um pedido (e o rejeita!), descobre-se que a casa onde ocorreu uma das mais covídicas festas de Réveillon do Rio, com dois mil candidatos ao vírus, é da Prefeitura da cidade, ficamos sabendo que um caríssimo radar comprado para monitorar o desmatamento da Amazônia é não apenas desaconselhado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, por não ser adequado, como já existe na União Europeia uma rede desse tipo à qual o Brasil tem acesso permanente e gratuito. Pelo menos descobrimos a razão de um outro mistério: qual a função do Astronauta no Ministério. Além de descobrir vermicidas anti-Covid, recomenda compras como essa do satélite de R$ 175 milhões. O ministro da Ciência e Tecnologia vive no mundo da Lua.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, PSDB, assinou resolução em que aumenta o próprio salário em pouco mais de 40%. Com isso elevou o salário de vereadores e de servidores municipais que acompanham os ganhos do prefeito. OK? O salário-mínimo também sobe hoje. Vai a R$ 1.100,00, com reajuste de 5,26%. A recomendação: não é para quem ganha salário-mínimo sair por aí gastando que nem doido. Precisa reservar um pouquinho para o aluguel. Os aluguéis que venceram em dezembro podem subir 23%, talkey?

 Quem manda?

O ministro do Supremo Ricardo Lewandowski determinou o acesso às mensagens hackeadas obtidas pela Operação Spoofing referentes a Lula à defesa do ex-presidente. Importante: não é questão de gostar ou não de Lula, de achá-lo ou não culpado, seja lá o que for. É questão jurídica: usam-se contra Lula informações desconhecidas de sua defesa e cuja autenticidade é passível de discussão. Importante, também: ministro do Supremo não pede nada a instâncias inferiores. Ele manda, ordena, determina, e cabe aos juízes de outras instâncias apenas tomar providências para que as ordens sejam cumpridas. Mas o juiz plantonista da 10ª Vara Federal de Brasília, em vez de carimbar o “cumpra-se” e talvez dar conhecimento da ordem ao MP, mandou primeiro ouvir o MPF e atendeu à opinião dos procuradores, de que durante os feriados não seria possível tomar medidas de segurança para liberar as mensagens. A ordem foi repetida por Lewandowski, mas a defesa ficou mais tempo privada de saber o que havia por lá.

 Vem bomba

Mas, demore ou não, é questão explosiva. As mensagens foram hackeadas do celular do então juiz Sérgio Moro na Operação Vaza Jato. A defesa quer utilizá-las como prova de que o juiz agiu com parcialidade ao condenar Lula. Se essas provas influírem na decisão do STF sobre os pedidos de suspeição de Moro, as condenações de Lula desaparecem – e ele pode se candidatar à Presidência em 2022.

Muda o quadro político. Talvez se repita o quadro de polarização Bolsonaro x Lula, o que é bom para ambos e dificulta muito os caminhos do centro político. Qual a tendência do Supremo, sem adivinhar? Houve há pouco um julgamento parecido: o STF, há menos de seis meses, julgou que Moro foi parcial no julgamento do doleiro Paulo Roberto Krug, considerando que agiu como colaborador do Ministério Público (ajudando até a produzir provas) e não como juiz. É a mesma tese da defesa de Lula.

 O avesso do avesso do avesso

A vitória de Lula é, ao mesmo tempo, a vitória de Bolsonaro. Para ambos, o melhor quadro em 2022 é a eleição polarizada, Coxinhas x Mortadelas. E um ganho adicional para Bolsonaro: decisões em favor de Lula tendem a se repetir nos casos de Flávio Bolsonaro, até agora o fardo do presidente. Nos dois casos, há dinheiro de origem suspeita e compra suspeita de imóveis.

 Recordando

Lula tem hoje duas condenações (triplex do Guarujá e sítio de Atibaia), mais duas denúncias da Lava Jato (Curitiba), quatro ações na Justiça Federal (Brasília), e uma ação na Justiça Federal (São Paulo).

 Ladrões são os outros

A resposta veio num live no Facebook: comentando a prêmio que lhe foi outorgado por um consórcio internacional de jornalistas, de Pessoa Corrupta do Ano, atacou a imprensa e a Rede Globo e garantiu que não há corrupção em seu Governo. O prêmio foi-lhe concedido pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), formado por jornalistas e centros de mídia independentes. Bolsonaro lembrou a delação do doleiro Dario Messer, na qual diz ter repassado alguns milhões de dólares para a família Marinho, dona da Rede Globo (a Globo nega as acusações). Disse também que em seu Governo não há corrupção e a Polícia Federal é independente.

Falta perguntar por que a Abin colaborou com a defesa de seu filho Flávio. Mas sem entrevista fica difícil fazer perguntas. A live é mais discreta.

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